sábado, 2 de outubro de 2021

A 1ª República Portuguesa (1910-26)








 

Primeira República


A implantação da República é resultante de um longo processo de mutação política, social e mental, onde merecem um lugar de destaque os defensores da ideologia republicana, que conduziram à formação do Partido Republicano Português (PRP), no final do século XIX.
O Ultimato inglês, de 11 de janeiro de 1890, e a atitude da monarquia portuguesa perante este ato precipitaram o desenvolvimento deste partido no nosso país.
A revolução republicana iniciou-se em Lisboa na madrugada do dia 4 de Outubro de 1910. O movimento revolucionário partiu de pequenos grupos de conspiradores – membros do exército e da marinha (oficiais e sargentos), alguns dirigentes civis e grande número de populares armados.

A revolução apoiava-se na revolta dos principais quartéis de marinheiros da capital (o Quartel de Marinheiros em Alcântara e o Arsenal de Marinha, à Praça do Município), de três vasos de guerra fundeados  no Tejo (Adamastor, São Rafael e, posteriormente, o cruzador Dom Carlos, navio almirante) de duas unidades do Exército (Infantaria 16 em Campo de Ourique e Artilharia 1 em Campolide) na ação de milhares de civis da carbonária, indispensáveis ao controlo da cidade de Lisboa, sabotando  as comunicações dos comandos monárquicos, emboscando as tropas fiéis nas ruas. 
Os acontecimentos revolucionários concentraram-se, assim, em dois teatros principais. Na Rotunda, onde, após vários confrontos com a Guarda Municipal, os revoltosos se barricaram na madrugada de 4 de Outubro, a que, sob o fogo de Artilharia I e das cargas da Guarda Municipal, se foram juntando milhares de civis e de militares desertores sob o comando do membro da Carbonária, comissário naval Machado dos Santos. Os revoltosos resistiram às tropas fiéis à monarquia, comandadas a partir do Quartel do Carmo, aonde, no dia 5 de manhã, Machado dos Santos se dirigiu para aceitar a rendição do Alto-Comando monárquico. O segundo teatro foi o da linha do Tejo, em articulação com o Quartel de Marinheiros, e mais tarde com o Arsenal de Marinha. Não tendo conseguido, no dia 4, ocupar o Palácio das Necessidades, os revoltosos, com o apoio da artilharia civil da carbonária nas ruas do bairro, combateram as forças militares fiéis à monarquia até que os navios Adamastor e São Rafael bombardearam  o Palácio Real das Necessidades, pondo em fuga a família real, primeiro para Mafra, depois, no dia 5 de Outubro, com destino a Gibraltar, embarcando na praia da Ericeira.
O período de vigência da Primeira República vai de 1910 a 1926. O grande fator do insucesso da República foi, sem dúvida, a conjuntura internacional pouco favorável decorrente de todas as crises provocadas pela Primeira Grande Guerra. Não teve tempo de fortalecer as suas bases, o que a impediu de crescer.
As melhorias introduzidas nos diversos quadrantes da economia do país desde 1923, resultantes do avanço proporcionado pela industrialização e alfabetização, perspetivavam uma continuidade do regime republicano, mas tal não aconteceu. O grupo dos descontentes com a nova situação era grande: a igreja estava desejosa de regressar ao seu poder anterior; o exército e os funcionários públicos viram dificultado o seu poder de compra;  os operários desejavam ver cumpridas as suas reivindicações e todos estavam cansados das lutas partidárias e de uma república inoperante receando a anarquia.
A queda da Primeira República consumou-se entre 28 e 31 de maio de 1926 pela mão do general Gomes da Costa. Este revoltou-se em Braga no dia 28 e marchou para Lisboa com a adesão do exército. O Governo demitiu-se a 30 de maio e logo no dia seguinte o presidente da República também se demitia fazendo com que a revolução saísse vitoriosa.









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